Peacemaker chegou ao HBO Max nesta quinta-feira (13) fazendo barulho. Novo trabalho de John Cena na DC após O Esquadrão Suicida, a série vai mostrar novas aventuras do controverso vigilante Pacificador.
Novamente escrita e dirigida James Gunn, que nunca escondeu a paixão pelas HQs, a série toma uma curiosa decisão de reformular um vilão obscuro das revistas para dar caminhos interessantes para a história e de quebra fazer os comentários sociais que o cineasta trouxe para seus projetos na DC Comics.
[Cuidado com spoilers de Peacemaker abaixo]
Pouco após a estreia de O Esquadrão Suicida, nós falamos aqui no Nerdbunker como o filme da DC havia preparado terreno para Peacemaker. Um dos maiores pontos deixados pelo longa de 2021 é a conturbada relação entre Christopher Smith (Cena) e seu pai, uma sombra que claramente deixou marcas muito negativas no filho. Não foi preciso mais de três episódios para a produção confirmar que as questões paternas são fundamentais para entender o passado e o futuro de seu protagonista.
Os capítulos iniciais apresentam August Smith – vivido pelo grande Robert Patrick de O Exterminador do Futuro 2 – como um homem cruel que deprecia o próprio filho em qualquer oportunidade e guarda suas risadas para histórias sobre tortura. Mais do que isso, a produção não tem o menor pudor ao mostrar que ele é um grande preconceituoso que dispara ofensas e torce para que o filho use as armas tecnológicas que projeta para matar minorias.
Essa caracterização, que tem zero sutileza, faz sentido com o retrospecto do personagem nas HQs. Chamado Wolfgang Schmidt nas páginas da DC, ele foi o comandante de um campo de concentração que se matou na frente do filho quando o passado veio à tona. Essa imagem causou sequelas graves em Christopher, que cresceu traumatizado e altamente propenso à violência. Para piorar, o pai aparecia como uma alucinação sádica que aparecia para o vigilante trajando um uniforme nazista e trazendo ideias violentas para o rapaz.
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Mas para isso, o roteiro não apenas materializa o fantasma nazista que habita a perturbada mente de seu protagonista. Para a crítica ficar completa, ele pega emprestado um outro vilão da DC com raízes tão malignas quanto as de Wolfgang.
O Dragão Branco
August Smith termina o segundo episódio preso. Na cadeia, ele é saudado por alguns dos criminosos como o “Dragão Branco”. Essa citação, que parece aleatória em primeiro momento, diz muito sobre os rumos que a série pretende tomar com o personagem, já que essa é uma alcunha de outros malfeitores das HQs.
O primeiro e principal Dragão Branco do Universo DC foi Daniel Ducannon, um vigilante bancado por grupos de extrema-direita para posar de super-herói e sutilmente propagar um discurso preconceituoso aos seus fãs. Após ter suas verdadeiras intenções reveladas, ele passa a agir abertamente contra minorias, chegando a fazer parte de um grupo de vilões nazistas chamado Quarto Reich.
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Mais do que reviver um vilão minúsculo – Ducannon apareceu poucas vezes nos quadrinhos – é razoável supor que James Gunn aproveitou o personagem para dar ao Pacificador a chance de confrontar o próprio lado sombrio também de forma literal.
Além de um alter-ego, August já indicou que também tem um traje especial para chamar de seu, então não seria nada estranho se a catártica batalha final que marca a redenção do Pacificador seja uma luta contra outro mascarado cheio de habilidades como ele próprio. Até porque a série se mostrou tudo menos sutil, então é possível que ela siga a tradição do cinema de ação e não ser nada piedoso com os nazistas.