Lançado lá em 2017, Horizon Zero Dawn foi um jogo que deu início a uma das maiores franquias da PlayStation Studios, introduzindo um universo que cativou muitos jogadores por apresentar muita personalidade.
Agora, cinco anos depois, Horizon Forbidden West chega com a tarefa de não apenas amarrar as pontas soltas do primeiro jogo, mas também expandir o legado da saga. E consegue, pelo menos parcialmente.
Admirável mundo velho
Forbidden West é uma sequência direta de Zero Dawn, se passando alguns meses após seu antecessor. O jogo repete a fórmula que teve sucesso no passado e é mais um mundo aberto com peso na narrativa, mantendo a mesma estrutura. Espere por regiões com várias hordas, Pescoções a serem ativados, mesmo estilo de combate e até uma campanha com duração similar (cerca de 20 horas).
Com isso, a sequência se difere do primeiro jogo em escala e detalhes. Exceto na história, que apresenta uma abordagem mais profunda do universo que já conhecíamos e ainda revela um lado desconhecido de Aloy até mesmo para ela.
Com muitas (mas muitas) cutscenes e diálogos longos, a trama apresenta inúmeros personagens e povoados inéditos, além de desdobramentos inusitados relacionados a GAIA, Hades e principalmente Elisabet Sobeck.
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Em termos de jogabilidade, Forbidden West mantém os comandos básicos, movimentação ágil e arsenal focado em arcos, armadilhas, ataques corpo a corpo e dano elemental (como ácido, plasma e gelo), mas com novos apetrechos que afetam exploração e combate.
Há seis árvores de habilidades que são focadas em várias características, como dano a longa distância, furtividade, armadilhas e por aí vai. É preciso prestar atenção em como gastar os pontos porque, ao atualizar as árvores em certa ordem, é possível desbloquear Impulsos e uma habilidade suprema que oferece mais variedade no gameplay. Por exemplo, Impulsos podem aumentar um tipo de dano específico ou até oferecer invisibilidade temporariamente, algo que faz muita diferença nos confrontos.
De forma geral, o combate está equilibrado e é preciso mais do que apenas descobrir o ponto fraco de um inimigo para abatê-lo. Graças às novas máquinas, que são agressivas e apresentam uma boa inteligência artificial, é preciso se atentar à forma como elas reagem e se movimentam, ficando pronto para escapar de ataques surpresas. O Rastejador, uma serpente gigante, é um dos robôs mais complicados de derrotar, uma vez que cospe veneno, quebra pedras no ambiente que ficam em seu caminho e até se enterra no chão para tentar desorientar Aloy, mas é justamente essa variedade que o torna divertido.
O mesmo acontece com inimigos humanos, que estão divididos por “classes” (alguns mais durões que outros), possuem pontos fracos e agem de maneira totalmente diferente das máquinas. Acredite: a esquiva será tão importante quanto o arco por aqui.
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As mecânicas de combate são divertidas, e é prazeroso derrotar máquinas com tiros de flechas ou virotes ao desviar de ataques poderosos, desmontando as criaturas aos poucos. No entanto, existe uma falta de fluidez ao alternar entre as mecânicas que prejudicam os confrontos, deixando a jogabilidade truncada.
Alguns comandos básicos são muito lentos e fazem com que Aloy pare quase totalmente no meio da luta, ficando vulnerável. Recarregar ou trocar armas exige muito tempo, itens de acesso rápido não são acionados tão rápido assim, combos de ataque corpo a corpo são demorados, usar o Impulso aciona uma animação obrigatória e desnecessária que não congela os inimigos ao redor (e muitos das minhas mortes foram resultado disso) e até o tão esperado Lança-gancho não é útil por consumir segundos preciosos.
Por falar no novo apetrecho, há mais um ponto negativo no combate: usar o ambiente não ajuda em nada, pelo contrário, só atrapalha. Muitas áreas oferecem postes para lançar o gancho e subir para fugir ou ter uma vista mais alta no meio da luta, mas Aloy faz isso de forma tão lenta e desengonçada que só a transforma em um alvo mais fácil.
Os itens que são novidade, como Lança-gancho e Planador, acabam abrindo possibilidades significativas apenas na exploração e na solução de quebra-cabeças de ambiente, que aparecem em peso no jogo.
O tão esperado combate debaixo d’água de Forbidden West na verdade não acontece. É possível apenas fugir das máquinas por esse caminho.
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O mundo aberto de Forbidden West conta com um mapa imenso, com conteúdo opcional espalhado por todo lado. Há missões secundárias que oferecem histórias paralelas e pequenos desvios que são um bom respiro para a campanha, além de atividades mais genéricas e repetitivas, como contratos, coletáveis e ruínas misteriosas. É possível acionar e fazer mais de uma missão ao mesmo tempo, o que torna a exploração pelas regiões mais fluída e rápida (sem dar tempo do jogador enjoar).
Em termos de conteúdo, o mundo aberto é mais parrudo em relação ao seu antecessor. No entanto, não entrega tanto em profundidade. O Oeste passa constantemente uma sensação de que não é “vivo”, mas totalmente regido pelo jogador. Tudo existe apenas para ele. Não há acontecimentos ou atividades pelo mundo que não se foque unicamente em Aloy, dando um aspecto superficial ao universo.
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Os cenários do Oeste são menos coloridos, com regiões de aspecto mais arenoso e destruído, uma mudança bem-vinda ao universo de Horizon. Há até locais que lembram remotamente um estilo à la Star Wars, com paisagens visualmente impressionantes. A forma como as luzes da tecnologia usada por Aloy contrastam com os ambientes também é de encher os olhos, fazendo com que fique difícil para o jogador não parar para apreciar a vista.
A dublagem em português brasileiro traz de volta elenco do primeiro jogo, que repete a qualidade na localização e adaptação de termos e diálogos. As novas vozes também entregam performances na mesma altura.
Novo capítulo de uma velha história
Faço parte do grupo de jogadores que não é tão fã de Horizon Zero Dawn, mas que teve sua curiosidade despertada com tantas promessas da Guerrilla Games para Forbidden West. Depois de passar muitas horas no Oeste Proibido, a sensação que fica é que os desenvolvedores decidiram se manter na zona de conforto, entregando mais um mundo aberto na mesma pegada.
Por isso, a sequência não chega a ser uma evolução por completo do primeiro jogo, mas uma expansão, o que não é algo negativo, dependendo do que o jogador procura por aqui.
É um mundo aberto com ritmo lento, cuja narrativa consegue aprofundar ainda mais seu universo complexo, aprofundando muitos conceitos e personagens de forma inteligente e empolgante. Além de também conseguir passar uma mensagem simples e poderosa. No entanto, há um pequeno problema na história: o desfecho é aberto e sem uma conclusão concreta, deixando a sensação de que o jogo acabou na metade só para dar a entender que há mais por vir.
No fim, Forbidden West atende as promessas com pequenos tropeços no caminho. Mas a jornada completa esbanja toda a personalidade de Horizon (e de Aloy) que cativou os fãs cinco anos atrás. E, com certeza, fará o mesmo de novo.
Este review foi feito com uma cópia cedida pelo Sony.
Horizon Forbidden West será lançado no dia 18 de fevereiro para PlayStation 4 e PlayStation 5.
O jogo está à venda na Amazon para PS4 e PS5. Caso compre, o Jovem Nerd pode ter comissão.