Produtor de Zombicide, Thiago Aranha revela bastidores da edição dos Zumbis Marvel

O Universo Marvel vai retornar aos boardgames em grande estilo no Zombicide Marvel Zombies. Unindo a mecânica do jogo com a famosa HQ dos Zumbis Marvel, o jogo da CMON foi financiado em uma campanha que arrecadou impressionantes US$ 9 milhões. Em entrevista ao Nerdbunker, o produtor Thiago Aranha revelou os bastidores da produção, que nasceu de um um sonho antigo em trabalhar com a Casa das Ideias.

O primeiro lançamento da Marvel pela CMON foi o Marvel United, resultado de uma parceria com a Spin Master em 2020. O sucesso do jogo levou a empresa a sonhar mais alto e planejar um game mais complexo, com miniaturas mais realistas e que, principalmente, se destacasse de outros boardgames baseados no universo da editora. A saída foi recorrer a um dos sucessos da casa:

“Trazer o universo dos quadrinhos Marvel Zombies através de nossa linha de jogos mais popular, o Zombicide, foi a direção óbvia! Zombicide nos proporcionaria um motor extremamente sólido, refinado ao longo de uma década, e atrelá-lo ao universo Marvel nos obrigaria a reinventá-lo de forma a trazer algo novo para os veteranos.”

Zumbis Marvel é uma ideia popular que nasceu nas HQs, inspirou um episódio da animação What If…? e ainda vai ganhar uma série de TV própria. A grande graça dessas histórias é mostrar grandes heróis como mortos-vivos comedores de cérebro, o que deu ao time formado por Aranha e os designers Michael Shinall e Fábio Cury a chance de “virar a mesa” e colocar os jogadores no papel dos zumbis:

“Isso é algo único que Marvel Zombies nos proporcionou, já que nessas histórias os zumbis mantêm suas capacidades mentais, personalidade, e domínio de seus poderes, a única coisa é que eles são compelidos por uma fome avassaladora a devorar qualquer ser vivo que encontrem. Essa premissa nos impulsionou a um modo de jogo completamente diferente, onde os jogadores seriam fortemente influenciados pela sua fome, se beneficiando, mas também sendo subjugados por ela, e inevitavelmente acabariam tendo que devorar pessoas por aí.”

Mesmo honrando o espírito da HQ original, a equipe ficou preocupada com a forma que a ideia de controlar heróis zumbificados seria recebida pela editora:

“Estávamos bem apreensivos se a Marvel toparia um jogo em que você controla um Capitão América zumbi que eventualmente devora a Tia May! Mas para o bem de todos e felicidade geral da nação, eles compraram a ideia.”

Com uma ideia na cabeça e a aprovação da Marvel nas mãos, a equipe passou para a desafiadora etapa de escolher quais personagens apareceriam no novo Zombicide. “Parecíamos crianças numa loja de brinquedo”, relembra Thiago Aranha.

“Juntamos enciclopédias, edições dos quadrinhos Marvel Zombies, etc, e começamos a criar listas do que gostaríamos de incluir na linha. Praticamente todo o universo Marvel estava aberto para nós, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha… O que era incrível, mas também tornou muito difícil reduzir o elenco a uma lista factível. Na verdade, nem acho que conseguimos reduzir tanto assim. Ficava olhando a listagem crescendo e murmurando ‘impossível prepararmos tantos personagens a tempo’, mas tentamos mesmo assim.”

Aranha revela que algumas restrições de licença que impediram a inclusão de certos personagens e até de versões zumbificadas de alguns outros. Felizmente, as limitações foram poucas e o pacote completo do novo Zombicide acabou com mais de 230 figuras. “Um número absurdo, ainda mais levando em conta quão elaboradas elas ficaram, com bases cênicas e poses complexas”, afirma.

“Começamos incluindo as coisas obrigatórias: Homem de Ferro, Capitão América, Tempestade, Wolverine, etc. Sempre levando em conta os personagens que figuram na série Marvel Zombies (ainda bem que praticamente todo o universo Marvel já apareceu por lá!). Depois tentamos enfiar o máximo possível de personagens que nós gostaríamos de ver, como o Sexteto Sinistro.”

A expansão de Zombicide Marvel Zombies focada no Sexteto Sinistro

Para a confecção das figuras, a CMON teve um reforço de peso. As artes originais do novo Zombicide foram desenhadas por ninguém menos que Marco Checchetto, grande artista da Marvel nas HQs conhecido por desenhar a atual fase do Demolidor. Aranha afirma que o trabalho do quadrinista italiano foi de um valor inestimável:

“Como um artista oficial da Marvel, ele não só tem um talento enorme, mas um profundo conhecimento dos personagens e do universo. Isso garantiu que a grande maioria dos seus desenhos fosse aprovada imediatamente pelo licenciador. Um artista “de fora” teria muito mais dificuldade, criando grandes atrasos ao projeto inteiro. Além disso, é claro, a criatividade do Marco impulsionou o jogo a níveis absurdos. Ele colocou tantos detalhes animais nas bases, nas interpretações das versões zumbi dos personagens etc., que nos obrigou a criar miniaturas muito mais complexas e detalhadas do que costumamos fazer. Cada vez que eu recebia uma nova arte dele eu ficava ao mesmo tempo maravilhado e aterrorizado, pensando como diabos íamos conseguir transpor aquilo para uma figura de plástico.”

A vinda de Galactus

Um dos destaques do novo Zombicide é a expansão que traz ninguém menos do que Galactus, o Devorador de Mundos. Para honrar a natureza gigantesca do personagem, a CMON se inspirou na “miniatura gigante” de Cthulhu criada para o jogo Death May Die. Aproveitando que a participação do vilão tem precedente nos quadrinhos, a equipe partiu para a produção:

“Não pudemos resistir à tentação de ter um gigantesco Galactus de 60cm de altura destruindo um tabuleiro de Zombicide! Começamos a desenvolver paralelamente tanto a escultura quanto a expansão, utilizando sua enorme base como área de jogo, assim como detalhes como posicionar um herói na mão do Galactus.”

A inclusão do vilão criou um obstáculo, já que seria preciso lançar duas peças gigantescas para as versões viva e zumbi. Para poupar o público, o time tornou a cabeça e um dos braços intercambiáveis para que a mesma figura pudesse encarnar as duas versões de Galactus. Aproveitando a ocasião, a CMON também tratou de trazer o maior Arauto de Galactus para Zombicide:

“Obviamente não podíamos deixar o Surfista Prateado de fora dessa, também em versão viva e zumbi, e assim acabamos com uma expansão completamente única para o jogo.”

O trabalho da equipe deu origem à maior campanha de financiamento coletivo da CMON. Com US$ 9 milhões arrecadados em quase 29 mil apoios, o crowdfunding foi um sucesso e o Zombicide Marvel Zombies tem lançamento previsto para junho de 2023.

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