Quando perguntado sobre as vantagens de fazer Peacemaker uma série de TV, e não um filme, o criador James Gunn afirmou que a principal é ter tempo para desenvolver seus personagens “mais profundamente”. Essa evolução pode vir de forma mais séria e dramática, como no quarto episódio, ou de maneira sangrenta e intensa como no quinto.
O capítulo, que chegou à HBO Max para esta quinta-feira (27), retorna à ação em grande estilo enquanto fortalece relações com a promessa de destruí-las mais adiante.
[Cuidado com spoilers do quinto episódio de Peacemaker]
O quinto episódio de Peacemaker começa com uma ressaca – literal e metafórica – do final melancólico do episódio da última semana. Após uma cena fofa em que Eagly tenta animar o Pacificador (John Cena) como pode, acompanhamos o vigilante em uma reunião de esclarecimento mais do que bem-vinda.
Em primeiro lugar, o encontro finalmente dá respostas mais claras sobre como agem os misteriosos alienígenas chamados de “Borboletas”. Em segundo, ele dá ao protagonista a chance de confrontar John Economos (Steve Agee) por ter colocado seu pai na prisão.
A discussão em si não é grande coisa e serve para fazer rir com a longa lista de pessoas que o Pacificador acredita merecem ir para a cadeia mais do que seu pai. Isso porque na cabeça do vigilante é mais plausível que a Ariana Grande, o BTS ou o Michael Jordan vá para a cadeia do que um supremacista branco. Porém, a conclusão dela é o que torna o roteiro da série tão elogiável.
Após humilhar Economos, e portanto “vencer”, o Pacificador é repreendido por Leota Adebayo (Danielle Brooks) por agir como um valentão. O protagonista por sua vez se queixa que ser chamado de bully e abusivo “magoam seus sentimentos”, chegando ao ponto de fazer a clássica reclamação de que antigamente que era bom porque dava para “zoar com alguém o tempo todo sem que a pessoa se vitimizasse”. Se falta sutileza, sobre poder de síntese e deixa bem claro qual é o problema desse tipo de discurso.
Seguindo uma pista descoberta por Adebayo, o grupo parte para o Glan Tai, local que fabrica o misterioso alimento das Borboletas. Na viagem de van até o local é revelado que que sempre que alguém se aproxima dos alienígenas de forma oficial, o governo misteriosamente cancela a operação. Dessa forma, a produção explica por que outros heróis da DC não podem se envolver na missão e, portanto, deixa claro que a última defesa da Terra contra uma invasão alienígena é essa equipe.
A viagem também serve para começar a unir o grupo. Em uma ironia do destino, o Pacificador descobre que Economos, o homem que ele mais detesta e despreza na equipe, também é fanático pela banda Hanoi Rocks. Após compartilhar opiniões, histórias e até tatuagens em homenagem ao grupo, eles finalmente encontram um ponto em comum que será abordado mais adiante.
Chegando no local, não demora muito para que o grupo descubra a verdade sobre o Glan Tai, que está produzindo o bizarro alimento em massa. De um lado, Harcourt (Jennifer Holland) e Vigilante (Freddie Stroma) descobrem uma quantidade imensa da substância, revelando que a invasão é muito maior do que o esperado. Do outro, Pacificador e Adebayo descobrem que o local está infestado por Borboletas, dando ao justiceiro a chance de cometer uma verdadeira chacina alienígena.
Em uma das sequências de ação mais frenéticas e sangrentas dessa temporada, a equipe acaba encurralada em uma sala com um gorila dominado por uma Borboleta. O embate brutal chega ao fim quando Economos mata o animal com uma motosserra, atitude louvada pelo Pacificador, que finalmente parece admirar o colega.
Antes de prosseguir, é interessante notar que o Gorila Charlie não foi exatamente uma surpresa. Isso porque no quarto episódio é possível ver rapidamente uma reportagem sobre o desaparecimento de um gorila no zoológico. De forma sutil, o roteiro sugere que o público preste bastante atenção às pistas que espalha, já que detalhes como esse sempre podem voltar depois.
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Após uma vitória que contou com a participação de todos, o grupo se une de vez. Em um momento sinceramente carinhoso, eles cantam e vibram de forma completamente avessa ao final deprimente e solitário do último capítulo. Por outro lado, todo esse companheirismo parece prestes a ruir, já que Adebayo põe em ação um plano vindo de Amanda Waller: plantar um antigo diário do Pacificador no apartamento dele. Pela expressão de Adebayo e o desabafo com a namorada ao telefone, é provável que o conteúdo do caderno va afetar o justiceiro – especialmente se trouxer à tona memórias relacionadas ao irmão, cuja lembrança o afeta profundamente.
Antes que pudéssemos acompanhar o desenrolar dessa descoberta, a série mostra a agente voltando ao quartel general. Ao brincar com um capacete do Pacificador equipado com visão de raio x, ela acaba descobrindo que o chefe Murn (Chukwudi Iwuji) é uma das Borboletas. Os dois lutam e ela acaba levando a pior, ficando à mercê do alienígena. O episódio chega ao fim com esse grande gancho, já que não revela se a criatura tentará matar ou recrutar a agente.
O outro trabalho da Borboleta
Enquanto o time trabalhava para derrubar a fábrica de alimentos das Borboletas, o Murn também agia para resolver outra questão. Sabendo que August Smith (Robert Patrick) revelaria informações sobre o Pacificador para deixar a prisão, ele infiltrou um velho conhecido como capitão da polícia da cidade.
Se por um lado o novo capitão cumpriu seu propósito e manteve o Dragão Branco na cadeia, por outro ele levantou as suspeitas de Sophie Song (Annie Chang), que levou a questão adiante a um juiz da cidade que, por nenhum acaso, é também seu tio. Além de manter o enredo de August vivo sem a presença do Pacificador, esses eventos finalmente ligam as tramas das borboletas ao pai do justiceiro. Resta saber quão profunda será essa relação e como ela vai impactar os caminhos do protagonista.
Peacemaker ganha novos episódios às quintas-feiras na HBO Max.